Há algo diferente acontecendo na cidade maravilhosa por conta dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016. ONGs e uma empresa especializadas em proteção animal trabalham em áreas próximas às competições…

Há algo diferente acontecendo na cidade maravilhosa por conta dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016. ONGs e uma empresa especializadas em proteção animal trabalham em áreas próximas às competições para tentar resgatar ou proteger os animais afetados pelo megaevento. O trabalho é imenso. A difícil tarefa dessas entidades é dar alento e segurança para a sofrida população de animais abandonados da cidade durante os jogos.

Entre elas está a ONG paulistana Bicho Brother, especializada em captura e controle ético da população de gatos abandonados. Convidada por Guilherme Andreoli, membro do Comitê Organizador dos Jogos, a equipe Bicho Brother foi gentilmente recebida e está hospedada em uma unidade da ONG Oito Vidas, das especialistas em controle de gatos abandonados, Lilian Queiroz, Cristina Palmer e Aparecida Negreiros.

A ONG de São Paulo trouxe todo seu equipamento de contenção, manejo e captura de gatos para o Rio. No trabalho, ela se juntou a empresa especializada JF Resgates e Capturas, do profissional local Jackson Ferreira, e a outra ONG, a inglesa World Animal Protection, representada pela sua gerente de programas veterinários, Rosângela Ribeiro.

O Comitê Olímpico possui uma área de sustentabilidade (SAL), e é essa área que coordena a equipe de Resgate de Animais Domésticos, da qual fazem parte a Bicho Brother, a JF Resgates e a World Animal Protection. Há uma equipe de Resgate de Animais Silvestres também.

Há muito o que fazer, pois a cidade do Rio de Janeiro não é diferente da maioria das cidades brasileiras e não possui uma política pública eficaz de controle, segurança e bem-estar da população de animais abandonados.

O gesto do Comitê, de tentar dar proteção aos animais afetados pelo evento internacional é muito louvável, ainda que devesse ter sido planejado melhor e com mais antecedência.

Um dos trabalhos mais complicados é a tentativa de castrar e dar segurança à população de gatos das cinco ou seis colônias que habitam o complexo esportivo do Maracanã. Nesse espaço há uma estimativa numérica que existam entre 120 e 150 gatos. O trabalho nesse caso, segundo Mariana Lança, gestora da ONG Bicho Brother, deve ser o de aplicar às colônias o processo de capturar, esterilizar e devolver, mais conhecido pela sigla CED. Consiste em utilizar armadilhas para capturar os gatos de uma colônia, removê-los para uma clínica para castrá-los, identificá-los e depois reinseri-los na colônia. Com a utilização desse método é possível conter a expansão das colônias e retirar os animais mais vulneráveis, como filhotes e doentes, para tratamentos e adoções. Além disso é preciso acionar as forças de segurança do complexo para coibir atos de vandalismo contra os animais.

A colocação de placas de aviso também ajuda na conscientização da população que mora, transita e trabalha nos arredores. As placas estão prontas e podem ser confeccionadas a qualquer momento, segundo Rosângela Ribeiro, da World Animal Protection.

A equipe da ONG Bicho Brother chegou a iniciar o processo de CED e entre os dias 03 e 04 de agosto capturou 24 gatos do Maracanã e os levou para duas clínicas, uma na Barra da Tijuca, a Citta Vet e outra em Vargem Grande, a clínica Vargem Grande. Houve a interrupção desse processo para que Comitê, clínicas e ONGs realinhassem o desenvolvimento do trabalho. A Bicho Brother adota o padrão internacional de marcação de orelha para identificar os animais castrados dos não castrados em colônias, e o padrão do Rio de Janeiro é próprio.

A ONG de São Paulo quer o desmonte de um gatil provisório construído dentro do Maracanã para abrigar temporariamente os gatos que passarem pelo processo de CED. A Bicho Brother teme que o local esteja vulnerável a ataques humanos e passível de contagio de doenças entre gatos das várias colônias que serão colocadas no pequeno espaço. Comitê, ONGs e empresa especializada estão em negociação para viabilizar a melhor maneira de proteger e controlar os gatos do complexo do Maracanã durante os jogos.

Um resgate lindo à luz do dia

Durante o primeiro dia de capturas, em 03 de agosto, a ONG Bicho Brother tomou conhecimento por meio da protetora Natália Kingsbury, que cuida há mais de vinte anos dos animais do local, que havia um gato amarelo muito machucado em uma das colônias do Maracanã, conhecida como Colégio. No dia seguinte, a ONG concentrou seus esforços na colônia em que vivia o gato machucado, e obteve pleno sucesso na captura do bichano. Sob os olhares atentos de membros do comitê olímpico, da World Animal Protection, de uma equipe de TV alemã e do público que se juntou nas calçadas, o agente de CED Eduardo Pedroso conseguiu fazer o gato amarelo com a pata enferma entrar em uma armadilha manual.

Resgatado, o gato batizado de Maracanã foi levado para a clínica Citta Vet,recebeu os cuidados emergenciais da Dra. Alessandra e encontra-se em tratamento. Ele está bem e quando se recuperar, dependendo do seu temperamento, será incluído em um programa de adoções coordenado pela World Animal Protection e pelo Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016. Se permanecer indócil após o tratamento ou não for adotado, retornará à colônia.

Por Eduardo Pedroso | ANDA 

Compartilhar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *